segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A ILUSÃO DO "EU"

A ilusão do “eu”.

                             Para todos aqueles que doarem uma pequena parcela de seu tempo para ler o que compartilho agora com vocês, quero dizer primeiramente e antes de mais nada o seguinte: Estamos sendo escravizados em todos os setores de nossas vidas! Estou falando do condicionamento cultural, social, político e hereditário. Falo do controle psíquico praticado pela mídia de massa, pela hipnose perpetuado pelos Governos e, finalmente, pelas crenças e superstições que sustentamos como se fossem convicções irrevogáveis aos nossos olhos, muito embora não passem de uma conseqüência direta destas mesmas forças condicionadoras que ressalto. Porque, em sua grande parte, “invisíveis”, tais condicionamentos penetram até as entranhas de nosso inconsciente; portanto, ora, o que somos capazes de identificar neste universo de farsas, quando muito, esta no nível da linguagem e dos efeitos, as raízes estão além dos esforços perpetrados pelo pensamento. Neste sentido, não somos livres. Não podemos ser. De fato, somos literalmente violentados pelos símbolos e pela informação. O que pretendo dizer é que nossas convicções assemelham-se muito com castelos feitos no ar, ou mesmo como os cristais, lindos e belos, porém frágeis e quebradiços quando desmoronam e se convertem em cacos dispersos. Assim, somos como as taças de cristais, vaidosos por fora e ocos por dentro. Com efeito, uma das maneiras mais simples de se reconhecer a verdadeira natureza de um homem é diante das circunstâncias em virtude das quais ele é exposto a uma situação de risco ou de poder, pois as máscaras sempre caem na iminência de uma mudança drástica, uma tragédia, ou ainda, no confrontamento das convicções de um homem. Neste panorama, umas das convicções mais prosaicas sustentadas pelo senso comum são:
1° - “O mundo criado pelos pensamentos e pelos sentidos são reais”;
2° - “A matéria é densa”;
3° - “Aquilo que não percebo pelos meus sentidos físicos não existe”;
4° - “A sensação de prazer (ou acumulo) é sinônimo de felicidade”;
5° -“A crença no futuro”;
6° - “O homem não pode conhecer a morte”;
                   Estas são algumas crenças entre muitas outras que se cristalizaram em convicções pessoais ao longo dos tempos. Não vou discutir as causas já que existem dezenas de livros por aí que tratam do assunto. O fato é que estas crenças estão arraigadas no inconsciente social e a ruptura com tais conceitos pressupõem inevitavelmente uma RECONSTRUÇÃO COMPLETA do sujeito. Este é o ponto de partida. Muitos de vocês, que agora lêem o meu texto, já devem ter presenciado ou passado por uma situação dessas, em casa, na rua ou na esfera política ou com vocês mesmos, seja lá a forma que isso tome no seu dia-a-dia, onde a crença move literalmente o comportamento do sujeito e a NEGAÇÃO surge como resposta geral ao que não se APREENDE pelo pensamento comum baseado em imagens mentais cristalizadas. A imprevisibilidade do mundo é sempre um teste irônico para nós. É sempre um jogo que pode nos partir ao meio caso não estejamos atentos. Por estas e outras razões, quando uma crença desmorona em nosso interior, na maioria dos casos, converte-se em uma experiência traumática de vida. Em outras palavras, somos seres traumáticos porque não sabemos viver. Assim o é.
                       No fundo, meus amigos, é preciso deixar claro uma coisa: o que chamamos de “minha vida”, “meu eu” ou de “minha existência”, infelizmente, não passa de uma impressão psíquica, ou seja, se apresenta como um enredo linear, artificial e ilusório construído por cada um de nós ao longo do respectivo desenvolvimento pessoal de nossas vidas, muito embora, há que se dizer, faça todo sentido para “nós”, diga-se, “eu” e “você”, pois nossas vivências e impressões mundanas se encaixam e se fixam em nosso universo de significações pessoais como se fossem “peças” reais e definitivas de nossa realidade psíquica enquanto sujeitos, sejam estas experiências prazerosas, dolorosas ou indiferentes aos nossos olhos. Mas tudo, tudo mesmo, é registrado pela mente inconsciente e, variavelmente, surge como angustia, depressão, violência ou mesmo patologias como o câncer em nossas vidas. Da atitude ríspida da professora no jardim de infância para conosco ao primeiro ato sexual e morte de nossos entes queridos, tudo é registrado como impressão, ou ainda, uma “onda de choque” pelo aparelho psíquico. Deste modo, quando “algo” não se encaixa neste sistema linear que criamos, floresce o fenômeno da dúvida, ou ainda, o que habitualmente chamamos de “loucura” ou “alucinação”. Irrompe-se uma angustia indescritível “sem causa” ou uma necessidade inexplicável de busca por respostas. O fato é que cada sujeito REAGIRÁ de uma maneira diferente de acordo com seu temperamento, de sua personalidade. Nosso cérebro, ou melhor, nosso aparelho psíquico condicionado, faz com que a linearidade de nosso pensar transmita uma impressão de unidade de nossa existência enquanto seres humanos quando na prática o que, de fato, realmente somos, não passa de “fragmento”, ou ainda, uma nota desarmônica solta pelo mundo. Não existe unidade psicológica no sujeito comum, porém, antes, milhares de seres autônomos sobrevivendo em nós mesmos. O que denominamos trivialmente como “eu”, ou “minha personalidade” é uma espécie de alucinação, uma construção psíquica dissonante, um fantasma conceitual. Como fantasmas podem conquistar a auto-realização, a paz e o verdadeiro conhecimento? Somos como peças de cristais estilhaçadas que buscam uma reconstrução, um novo começo, uma resposta, o fim do sofrimento!    
                        Quero deixar claro que, de certo modo, não existe nada de novo no que escrevo tal como não reivindico a posse destas palavras, pois o próprio BUDISMO (Mahayana), a CIÊNCIA do YOGA entre outras fontes da Tradição-Sabedoria Universal tão antigas quanto o próprio homem, ressaltam em seus Tratados da Psique Humana este processo, ou seja, a ilusão do “eu”, não como teoria como pretende a Psicologia moderna, mas como uma realidade observável. Nosso “eu” é uma ilusão. Logo, apenas (re)apresento, aqui, estas idéias na forma de um esboço geral. Esta é minha proposta de trabalho.
                    Deixo claro que o motivo pelo qual escrevo se deve a NECESSIDADE de compartilhar algo com meus irmãos, vocês, que agora lêem estas linhas, pois ora, não podemos mais nos OMITIR, pois não sabemos quem SOMOS. A omissão também nos faz carrascos do mundo e de nós mesmos.  Se a morte, a notícia de um câncer, uma doença terminal qualquer, ou ainda, a notícia do falecimento daqueles que nos são mais caros no mundo batessem em nossa porta agora, neste exato momento, qual seria a primeira reação? Qual? O que nossos corações e mentes diriam? Provavelmente ofereceriam uma resposta antagônica, contraditória, pois cada qual, coração e mente, seguem um caminho próprio, díspar, paralelo, tanto pelo mundo como em nosso labirinto interior. Tudo o que nos resta é um SISTEMA PROGRAMADO de reação. Para a maioria de nós, portanto, a reação prática a esta pergunta não seria nada além de sofrer, nada além de mais um trauma jogado a revelia ao insciente, nada além de uma preciosa energia que se desprende de nós, enfim, uma fuga psíquica da realidade! Existe algo errado e muito perigoso neste processo: não temos controle sobre nossas emoções e pensamentos.  Por que isso soa tão natural a nossos ouvidos? Já nascemos com este distúrbio em nossos genes?
                         O sofrimento também se origina a partir de nossa incompreensão da morte e da vida, pois o homem definitivamente (re)age como se a morte não existisse, ou melhor, como se  não fizesse parte do PROCESSO MAIOR da existência, isto é, como se situasse aquém da Natureza e de suas LEIS INEXORÁVEIS; portanto, morremos todos os dias sem nos darmos conta disto. Estamos morrendo não como uma metáfora ou uma alegoria, mas como seres reais, como estivéssemos desperdiçando um dom precioso, uma oportunidade de emancipação real. Jamais nossa escravidão mental será contestada desde que não á vejamos, ou ainda, desde que não a identifiquemos e façamos algo. É como se gritássemos asperamente ao mundo: prefiro a escravidão a enfrentar a realidade como ela é! Com efeito, jamais haverá liberdade se conservamos uma vida de servilismo aos sentidos, baseados na “necessidade” e na “falta”. Talvez, a inconstância e o medo seja a característica predominante nos homens. No entanto, existe uma reposta pronta para quase tudo. Esta é geral: a revolução será amanhã, NUNCA hoje, jamais agora, pois não temos TEMPO e o mundo exige demais, tenho que comer, acasalar e satisfazer meus caprichos, pois tenho um ego e uma barriga que precisa de alimento! Isso na hipótese da revolução ser direcionada ao interior.                 
                        Acontece que deixamos de encarar a morte e a vida como parte de um fenômeno INDÍSSOCIAVEL da EXISTÊNCIA, duas antípodas que se fundem no final para nos ensinar que nada permanece intacto no reino do tempo. É irônico, ontem eramos apenas crianças sonhando com o futuro, hoje perseguimos o futuro para reviver o ser que eramos no passado e o maior tesouro, nosso presente, é reservado às esperanças, sonhos e expectativas que mal podemos compreender. O que o mundo pode reservar a cada um, caso o conflito psicológico não seja superado? Tudo será uma eterna repetição! O mau também germina pelo mundo enquanto nos escondemos por atrás da omissão do silêncio. O silêncio desprovido de austeridade não significa muita coisa.  Precisamos caminhar juntos, e isso é tudo.
                       De modo geral, desde que sejamos capazes de “visualizar” nossas experiências passadas e suas impressões inconscientes registradas em nosso aparelho psíquico, como grandes espelhos, batizamos seu efeito de “eu”, “você” ou “nós”. Também existe uma força, uma imagem, um “fantasma coletivo”, um arquétipo que permeia nossa visão de mundo - alguns autores discutiram muito sobre isso, mas não nos convém atermo-no a conceitos e teorias neste momento. Em certo sentido, veja só, isso, ou melhor, este fenômeno que chamamos de “eu” é puramente uma espécie de memória, ou melhor, uma imagem mental, uma superstição passageira, algo não-existente por si mesmo. Faça um exercício agora, olhe para seu passado e perceba que seu sentido de “eu” é como um movimento do pensar, buscando imagem após imagem, revirando os escombros da memória, como um acúmulo de experiências, impressões e angustias. Ao lançarmos vistas em direção ao nosso passado cavamos, respectivamente, um sentido para o resultado FINAL de nossas experiÊncias pessoais, ou seja, uma falsa unidade chamada de “eu”. Em outras palavras, uma programação. O que chamamos de “eu” é o lado mais obscuro de nosso inconsciente.  Neste caso, é muito provável que sejamos justamente o que não podemos definir. Onde não existe palavras, símbolos e conceitos, lá estamos nós. Neste sentido, o que entendemos por “homem” não passa de um conceito mental pertencente ao tempo. Sim, ao tempo, nosso “eu” é fruto do tempo. Conseqüentemente, o que chamamos de morte não pode representar nada além da destruição total do individuo. O fim de nós mesmos, a finitude do conceito, da idéia, da experiência, da imagem mental.  Para tanto, a sensação, o pressentimento, a visão, ainda que turva e distante, de nossa mortalidade é o inicio do caos interior. A mortalidade nos amedronta inconscientemente a todo o momento. Este pressentimento, acredito, é primitivo e atávico, ou seja, é passado de geração em geração por nossos genes. A mortalidade pertence ao tempo. A essência do tempo é movimento e transformação perpétua. Estamos à mercê de um monstro que a tudo devora e não podemos fazer nada senão negar esta escuridão horrenda! Poderia o destino dos homens apresentar uma tragédia ainda maior? É pouco provável.
                      Não existe liberdade. Não pode existir liberdade ao passo em que somos sustentados, enquanto indivíduos, por uma imagem mental, uma impressão, um conceito difuso de “eu”, enfim, um acúmulo de experiências passadas. Em última instância, não possuímos existência real, pois o observador é uma ilusão! Somos memória, ou caso queiramos satisfazer os sentidos físicos, somos apenas este corpo que conseguimos visualizar. Nada, além disso. Em contrapartida, é difícil entender até que ponto tais experiências pessoais, ou seja, a prisão psíquica que chamamos de “eu” pode edificar e forjar nossa visão de mundo; além do mais, podemos passar horas e horas conjecturando se realmente a experiência humana neste planeta pode conquistar para si a capacidade de compreender a verdadeira natureza das coisas dotada, por seu turno, de uma clareza completamente destituída de superstições, já que nossos pensamentos e emoções são tão traiçoeiros como bem sabemos. Eu penso e sinto que sim. Minha resposta é positiva, o homem (real) pode conhecer a essência das coisas, haja vista que para mim - e eu preciso dizer e deixar bem claro - o homem jamais deixou e jamais deixará de ser uma “POSSIBILIDADE INFINITA DE CRESCIMENTO E EVOLUÇÂO” espiritual. Jamais! Somos pontes e não um fim. Não obstante a ilusão, a cegueira e, sobretudo, a sensação psicológica de ISOLAMENTO que nos aprisiona ao mundo e nos arrasa por dentro sejam os únicos horizontes que podemos enxergar nesta condição de letargia espiritual que nos assalta a alma. Viver é um eterno sacrifício. Evoluir também é perecer, pois deixamos “cascas” ao longo do caminho, cascas que já se confundiram com “nós” mesmos. Não podemos carregar nos mesmos ombros Deus e o Diabo, o fogo e a água, a duvida e a convicção. É mister uma escolha, uma decisão, tomar um partido. Saber viver.
                       Acima de tudo, entretanto, não devemos esquecer que NÓS, ou seja, a essência por traz do conceito, a luz por traz do véu da personalidade, e ninguém mais, escolhemos passar pela experiência neste (multi)universo dimensional, portanto, somos inteiramente RESPONSÁVEIS por nossos êxitos ou fracassos. Nossa meta sempre será o aprendizado. É inegável que existem inúmeras forças no cosmos que jogam com o ser humano a todo o momento, em toda sua jornada, e sejam estas forças consideradas moralmente como o bem ou o mal, o equilibro final cabe a nós restabelecer. O ser humano é o epicentro da crise e do caos e ninguém, a não ser nós mesmos, é responsável por nossos atos, pensamentos e ações, independente da condição que nos encontremos, seja num palácio, num castelo, dentro de uma mansão, ou dentro de uma caverna, choupana ou tapera. A causalidade é nossa LEI maior. Penso, por vezes, como seriamos infinitamente mais justos para conosco mesmos e a nossa Mãe Terra se realmente enxergássemos a grande responsabilidade de se viver, de estar aqui, de estar experenciando o mundo, de ser consciente, de poder agir. É um crasso engano acreditar que podemos escolher enquanto escravos, pois, submersos nesta condição, somos apenas condicionados pelo PENSAMENTO, isto é, pela mente, pela programação e, deste modo, apenas REAGIMOS à estímulos exteriores. Somos seres de caráter sensorial. Será que a experiência humana comum neste mundo pode libertar o homem de seus preconceitos, limitações e ignorância? Será? Ou é necessário que haja uma ruptura completa com o que chamamos de realidade para que tal suceda? O que significa romper? O que significa agir? Viver desprovido de qualquer resquício de medo é possível?
                          Muito embora a ideia de sermos escravos disso ou daquilo retumbe como óbvio ou até mesmo como um clichê para alguns sujeitos “bem informados”, o que posso dizer é o seguinte: “Estar Consciente” é essencialmente diferente de concordar mentalmente com este ou aquele pressuposto, ou ainda “pensar” ou “refletir” a respeito deste ou daquele fato, pois opiniões e argumentos possuem raízes comuns na mente humana, estão germinando através do pensamento e das crenças pessoais, do “sim” e do “não”: nosso eterno binário mental. Como é aterrorizante a conclusão de que somos como máquinas programadas pelo tempo e desprovidas do poder de escolha porquanto apenas REAGIMOS aos estímulos do mundo! A mente é como uma instalação alienígena que nos guia em direção a autodestruição e conflito perpétuo. Como pode a mente condicionada fazer alguma idéia do infinito, de DEUS, ou mesmo da realidade deste planeta, nossa querida Mãe Terra?  Impossível.  O que restou à grande parte dos homens foram as discussões teórico-intelectuais a respeito da realidade ou existência disso ou daquilo e assim por diante. A religião entendida meramente por intermédio do intelecto se reduz a uma grande piada, se entendia com a emoção, se transforma em mero sentimentalismo.  Conhecemos muito bem o resultado deste processo: fundamentalismo e intolerância! O próprio ateísmo, por extensão, parte da mente, se origina de um conceito de caráter mental, portanto, aquele que se considera ateu, não esta negando a DEUS, a FONTE original, porém, antes, nega o próprio conceito que construí a respeito do que procura negar. Dá um tiro em si mesmo enquanto regozija-se com sua postura rebelde, razoável e “sensata”. Neste sentido, em muitas ocasiões, estamos negando a nós mesmos a partir das crenças que sustentamos! A mente é uma grande forma de superstição. Quando isto irá cessar?  Ou melhor, como o amor incondicional pode florescer no coração de um ser submerso em conflitos e auto-enganação?
                       Existem muitos livros, autores, e outros tipos de informação reservada para quem se interessa e busca informações a este respeito, mas o que eu quero deixar claro é que toda e qualquer forma de domínio e escravidão começa na MENTE do individuo. Germina no “invisível” para então manifestar-se no “visível”, o mundo sensorial. Precisamos enxergar isso com o coração, meus amigos, nosso eterno companheiro. Nosso irmão maior. Nosso anjo da guarda. Não é nada fácil identificar o lugar que realmente ocupamos neste mundo, onde pertencemos, para onde vamos e o que devemos fazer, pois tudo aquilo que podemos perceber como “realidade” é apenas um horizonte entre tantos outros possíveis que se apresentam a nós homens. Disse, certa feita, um velho índio Yaqui do noroeste do México: “tudo é um entre um milhão de caminhos”, mas apenas “os caminhos que possuem coração são verdadeiros”. Deixo claro que não estou reduzindo o assunto a qualquer teoria subjetivista, mas tentando, com certo esforço, visualizar até que ponto nossa escravidão mental chegou! Repito: pensar é diferente de perceber. O reino mais perigoso dos homens é o invisível. O “mundo das causas” é apreendido apenas pela alma e pelo coração, jamais pelos olhos e pela mente mundana.
                        Realmente gostaria de ser capaz de ensinar um caminho à humanidade ou, pelo menos, a algum amigo ou outros buscadores como eu, mas tamanha é a pretensão do homem que se diz capaz de ensinar.  Sou escravo de minha mente, de meu ser, de meus sentidos. Enquanto persistir a luta no interior da mente humana não prevalecerá a paz no coração dos homens. Cegos não podem guiar cegos, mas tudo isso pode ter um fim a partir de um simples ATO. VIVER é um ato de coragem.  No entanto, um coração desprovido de paz oculta uma mente que queima e ferve por dentro. As chamas, todavia, também podem ser usadas a nosso favor, meus amigos. Os Xamãs, feiticeiros, Bruxos, alquimistas e magos de todos os tempos fizeram isso! As forças da natureza existem e podem ser usadas para o bem ou para o mal. Esta é uma escolha que cabe a cada um realizar. Uma vez eu li nas páginas de um livro que a condição especial para nos transformarmos em verdadeiros homens, ou seja, “homens-de-conhecimento”- qualidade dos seres desprovidos de medo e dotados de sabedoria real- devemos, antes de qualquer coisa, agir como Guerreiros, pois todos os atos de um Guerreiro são sublimes e finais. O Guerreiro age como se a morte estivesse imediatamente a sua frente, portanto, não haveria tempo a perder e suas ações deveriam partir deste principio. Dizia o livro: "Se não há como saber se eu tenho apenas mais um minuto de vida, devo agir como se cada instante fosse o último. Cada ato é a última batalha do Guerreiro. Então tudo deve ser feito impecávelmente. Nada pode ser deixado pendente".
                     O fato é que nos defrontamos com o destino a cada dia que acordamos. Nascemos e sentimos o ar entrando por nossos pulmões pela primeira vez, que sensação incrível! Nosso coração bate e logo começamos a andar, o mundo é colorido e de repente crescemos, morremos e a roda da natureza não para, é a dança de Shiva encenada pelo Cosmos. O mundo é uma terra de gigantes! O céu é azul e sem fim, mas porque somos tão pequenos? Por que ainda não aprendemos a andar? Quem se recorda da primeira vez que avistou o sol, a imensidão da praia ou as estrelas da noite? Lembro-me de quando era criança e passava horas olhando em direção ao céu noturno, para as estrelas e, de algum modo, não me sentia sozinho. Hoje percebo que não era o céu, mas o INFINITO que dialogava comigo naqueles momentos e até hoje esta é a idéia mais próximo que tenho da eternidade: o céu e as estrelas. Esta tudo em nosso inconsciente, basta procurar e acessar as vidas ocultas sobrevivendo em nosso peito. Esta tudo lá. Basta cruzar o limiar do conhecido, a ponte do medo, do esquecimento, da dúvida. Todo o infinito esta presente nestas descobertas. São simples, singulares e profundas, como uma música bela e perpétua girando pelo mundo.
                       Somos como crianças e quanto mais aprendemos, mais nos sentimos pequenos, minúsculos, quase invisíveis como na infância, no início da jornada. Porque o final é tão semelhante ao princípio? O universo é algo estranho e age misteriosamente, em silêncio. Então, novamente nos levantamos e o mundo começa a girar. Não para, não cessa e de repente já estamos adolescentes, adultos, velhos e vemos amigos, pais e irmãos, enfim, gerações inteiras se passarem frente á nossos olhos e a impressão é que, no fundo, já passamos por tudo isso. Sensação estranha essa. O universo é cíclico e impecável. O mundo nos desafia, nos condena, nos impõe condições, ou seria apenas nossa impressão a respeito dele? Para mim a liberdade reside no poder de contemplação do ser humano. Bem-aventurados são aqueles que podem contemplar. Algumas pessoas perdem este poder, o tempo o consome, por isso morrem e definham aos poucos. Não quero isso pra mim, nem para a humanidade. Não podemos perder nossa capacidade de contemplação! Aceitar nosso destino, aceitar a nós mesmos, é uma honra, é um ato impecável, exige força, requer coragem e virtuosismo. Viver só pode ser destino. Realmente não sei se é possível encarar a vida de outra maneira. Somos homens e devemos aceitar nosso destino como ele é, destituídos de quaisquer juízos de valor. Assumir o controle da própria vida, portanto, do próprio destino, é uma tarefa reservada somente aos Guerreiros de puro coração, do contrário, tudo não passara de uma crença ou imaginação sobre a vida. Um fantasma aterrorizante. Não precisamos viver como idiotas, cegos ou lunáticos neste mundo, estes já pululam aos montes pelo planeta. A maior distinção de um homem é a virtude, o silêncio e o auto-controle. Então, inevitavelmente, irrompe-se o questionamento: “meu Deus, onde estão estes homens sublimes que a história ocultou”? Hoje, meus amigos, eu posso dizer que os seres sublimes nunca se afastaram de nós! Eles estão no limiar do coração humano, apenas aguardando um gesto nobre de nossa parte para encontrá-los! Isto pode acontecer agora, neste exato momento, ou daqui alguns éons, eras intermináveis, milhares de milhões de anos! Depende somente de nós, mas primeiro aprendamos a andar com nossas próprias pernas. É trágico como alguns seres humanos apenas se modificam corporalmente, a mente, contudo, continua infantil, frágil e vulnerável. Não amadurece. Sem dúvidas a maturidade requer alguns sacrifícios. Viver é sacrifício. Acredito que só podemos começar a viver realmente quanto começamos a encarar nossos medos no recinto do silêncio interior como uma batalha prazerosa, cotidiana, sempre crescente e radical. O desafio de nossas vidas deve ser conquistado enquanto respiramos, enquanto choramos, sorrimos e compartilhamos nosso amor: a força mais poderosa de todo o universo.  Assim vamos, pouco a pouco, nos aprofundando em nós mesmos e despertando, passo a passo, nossos anjos e demônios interiores e então, é incrível, tudo se parece estranho e curioso, como na infância onde tudo é uma descoberta, tudo é uma surpresa, poucos conceitos e muita intuição. Estamos velejando, o vento sopra e o mergulho final não cabe em palavras: é belo demais! DEUS é a beleza intrínseca de tudo que existe.  Até onde podemos chegar nesta vida, meus amigos, até onde somos capazes de caminhar em direção ao desconhecido, em direção ao infinito? Tudo é um gesto, uma auto-entrega, uma doação, um sacrifício, um ato de coragem. Que possamos viver como guerreiros daqui para frente, agora e para o sempre. Obrigado por seu tempo, por sua dedicação, por sua leitura. Somos jovens, meus irmãos.



                                                      

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