A ilusão do “eu”.
Para todos aqueles que doarem uma pequena parcela de seu tempo para ler o
que compartilho agora com vocês, quero dizer primeiramente e antes de mais nada
o seguinte: Estamos sendo escravizados em todos os setores de nossas vidas! Estou
falando do condicionamento cultural, social, político e hereditário. Falo do
controle psíquico praticado pela mídia de massa, pela hipnose perpetuado pelos
Governos e, finalmente, pelas crenças e superstições que sustentamos como se
fossem convicções irrevogáveis aos nossos olhos, muito embora não passem de uma
conseqüência direta destas mesmas forças condicionadoras que ressalto. Porque,
em sua grande parte, “invisíveis”, tais condicionamentos penetram até as
entranhas de nosso inconsciente; portanto, ora, o que somos capazes de
identificar neste universo de farsas, quando muito, esta no nível da linguagem
e dos efeitos, as raízes estão além dos esforços perpetrados pelo pensamento. Neste
sentido, não somos livres. Não podemos ser. De fato, somos literalmente
violentados pelos símbolos e pela informação. O que pretendo dizer é que nossas
convicções assemelham-se muito com castelos feitos no ar, ou mesmo como os
cristais, lindos e belos, porém frágeis e quebradiços quando desmoronam e se
convertem em cacos dispersos. Assim, somos como as taças de cristais, vaidosos
por fora e ocos por dentro. Com efeito, uma das maneiras mais simples de se
reconhecer a verdadeira natureza de um homem é diante das circunstâncias em
virtude das quais ele é exposto a uma situação de risco ou de poder, pois as máscaras
sempre caem na iminência de uma mudança drástica, uma tragédia, ou ainda, no confrontamento
das convicções de um homem. Neste panorama, umas das convicções mais prosaicas
sustentadas pelo senso comum são:
1° - “O mundo criado pelos pensamentos e pelos sentidos são
reais”;
2° - “A matéria é densa”;
3° - “Aquilo que não percebo pelos meus sentidos físicos não
existe”;
4° - “A sensação de prazer (ou acumulo) é sinônimo de
felicidade”;
5° -“A crença no futuro”;
6° - “O homem não pode conhecer a morte”;
Estas
são algumas crenças entre muitas outras que se cristalizaram em convicções pessoais
ao longo dos tempos. Não vou discutir as causas já que existem dezenas de
livros por aí que tratam do assunto. O fato é que estas crenças estão
arraigadas no inconsciente social e a ruptura com tais conceitos pressupõem
inevitavelmente uma RECONSTRUÇÃO COMPLETA do sujeito. Este é o ponto de
partida. Muitos de vocês, que agora lêem
o meu texto, já devem ter presenciado ou passado por uma situação dessas, em
casa, na rua ou na esfera política ou com vocês mesmos, seja lá a forma que
isso tome no seu dia-a-dia, onde a crença move literalmente o comportamento do
sujeito e a NEGAÇÃO surge como resposta geral ao que não se APREENDE pelo
pensamento comum baseado em imagens mentais cristalizadas. A imprevisibilidade
do mundo é sempre um teste irônico para nós. É sempre um jogo que pode nos
partir ao meio caso não estejamos atentos. Por estas e outras razões, quando uma
crença desmorona em nosso interior, na maioria dos casos, converte-se em uma
experiência traumática de vida. Em outras palavras, somos seres traumáticos
porque não sabemos viver. Assim o é.
No fundo, meus amigos, é preciso deixar claro
uma coisa: o que chamamos de “minha vida”, “meu eu” ou de “minha existência”,
infelizmente, não passa de uma impressão psíquica, ou seja, se apresenta como
um enredo linear, artificial e ilusório construído por cada um de nós ao longo do
respectivo desenvolvimento pessoal de nossas vidas, muito embora, há que se dizer,
faça todo sentido para “nós”, diga-se, “eu” e “você”, pois nossas vivências e
impressões mundanas se encaixam e se fixam em nosso universo de significações
pessoais como se fossem “peças” reais e definitivas de nossa realidade psíquica
enquanto sujeitos, sejam estas experiências prazerosas, dolorosas ou
indiferentes aos nossos olhos. Mas tudo, tudo mesmo, é registrado pela mente
inconsciente e, variavelmente, surge como angustia, depressão, violência ou
mesmo patologias como o câncer em nossas vidas. Da atitude ríspida da
professora no jardim de infância para conosco ao primeiro ato sexual e morte de
nossos entes queridos, tudo é registrado como impressão, ou ainda, uma “onda de
choque” pelo aparelho psíquico. Deste modo, quando “algo” não se encaixa neste
sistema linear que criamos, floresce o fenômeno da dúvida, ou ainda, o que habitualmente
chamamos de “loucura” ou “alucinação”. Irrompe-se uma angustia indescritível
“sem causa” ou uma necessidade inexplicável de busca por respostas. O fato é
que cada sujeito REAGIRÁ de uma maneira diferente de acordo com seu
temperamento, de sua personalidade. Nosso cérebro, ou melhor, nosso aparelho
psíquico condicionado, faz com que a linearidade de nosso pensar transmita uma
impressão de unidade de nossa existência enquanto seres humanos quando na
prática o que, de fato, realmente somos, não passa de “fragmento”, ou ainda,
uma nota desarmônica solta pelo mundo. Não existe unidade psicológica no
sujeito comum, porém, antes, milhares de seres autônomos sobrevivendo em nós
mesmos. O que denominamos trivialmente como “eu”, ou “minha personalidade” é
uma espécie de alucinação, uma construção psíquica dissonante, um fantasma
conceitual. Como fantasmas podem conquistar a auto-realização, a paz e o
verdadeiro conhecimento? Somos como peças de cristais estilhaçadas que buscam uma
reconstrução, um novo começo, uma resposta, o fim do sofrimento!
Quero deixar claro que, de certo modo, não existe nada de novo no que
escrevo tal como não reivindico a posse destas palavras, pois o próprio BUDISMO
(Mahayana), a CIÊNCIA do YOGA entre outras fontes da Tradição-Sabedoria
Universal tão antigas quanto o próprio homem, ressaltam em seus Tratados da
Psique Humana este processo, ou seja, a ilusão do “eu”, não como teoria como
pretende a Psicologia moderna, mas como uma realidade observável. Nosso “eu” é
uma ilusão. Logo, apenas (re)apresento, aqui, estas idéias na forma de um esboço
geral. Esta é minha proposta de trabalho.
Deixo claro que o motivo pelo qual escrevo se
deve a NECESSIDADE de compartilhar algo com meus irmãos, vocês, que agora lêem estas
linhas, pois ora, não podemos mais nos OMITIR, pois não sabemos quem SOMOS. A
omissão também nos faz carrascos do mundo e de nós mesmos. Se a morte, a notícia de um câncer, uma doença
terminal qualquer, ou ainda, a notícia do falecimento daqueles que nos são mais
caros no mundo batessem em nossa porta agora, neste exato momento, qual seria a
primeira reação? Qual? O que nossos corações e mentes diriam? Provavelmente
ofereceriam uma resposta antagônica, contraditória, pois cada qual, coração e
mente, seguem um caminho próprio, díspar, paralelo, tanto pelo mundo como em
nosso labirinto interior. Tudo o que nos resta é um SISTEMA PROGRAMADO de reação.
Para a maioria de nós, portanto, a reação prática a esta pergunta não seria
nada além de sofrer, nada além de mais um trauma jogado a revelia ao insciente,
nada além de uma preciosa energia que se desprende de nós, enfim, uma fuga
psíquica da realidade! Existe algo errado e muito perigoso neste processo: não
temos controle sobre nossas emoções e pensamentos. Por que isso soa tão natural a nossos ouvidos?
Já nascemos com este distúrbio em nossos genes?
O sofrimento também se origina a partir de
nossa incompreensão da morte e da vida, pois o homem definitivamente (re)age como
se a morte não existisse, ou melhor, como se não fizesse parte do PROCESSO MAIOR da
existência, isto é, como se situasse aquém da Natureza e de suas LEIS
INEXORÁVEIS; portanto, morremos todos os dias sem nos darmos conta disto.
Estamos morrendo não como uma metáfora ou uma alegoria, mas como seres reais,
como estivéssemos desperdiçando um dom precioso, uma oportunidade de
emancipação real. Jamais nossa escravidão mental será contestada desde que não
á vejamos, ou ainda, desde que não a identifiquemos e façamos algo. É como se
gritássemos asperamente ao mundo: prefiro a escravidão a enfrentar a realidade
como ela é! Com efeito, jamais haverá liberdade se conservamos uma vida de
servilismo aos sentidos, baseados na “necessidade” e na “falta”. Talvez, a
inconstância e o medo seja a característica predominante nos homens. No
entanto, existe uma reposta pronta para quase tudo. Esta é geral: a revolução
será amanhã, NUNCA hoje, jamais agora, pois não temos TEMPO e o mundo exige
demais, tenho que comer, acasalar e satisfazer meus caprichos, pois tenho um
ego e uma barriga que precisa de alimento! Isso na hipótese da revolução ser direcionada
ao interior.
Acontece que deixamos de encarar a morte e a vida como parte de um
fenômeno INDÍSSOCIAVEL da EXISTÊNCIA, duas antípodas que se fundem no final
para nos ensinar que nada permanece intacto no reino do tempo. É irônico, ontem
eramos apenas crianças sonhando com o futuro, hoje perseguimos o futuro para reviver
o ser que eramos no passado e o maior tesouro, nosso presente, é reservado às
esperanças, sonhos e expectativas que mal podemos compreender. O que o mundo
pode reservar a cada um, caso o conflito psicológico não seja superado? Tudo
será uma eterna repetição! O mau também germina pelo mundo enquanto nos
escondemos por atrás da omissão do silêncio. O silêncio desprovido de
austeridade não significa muita coisa. Precisamos caminhar juntos, e isso é tudo.
De
modo geral, desde que sejamos capazes de “visualizar” nossas experiências
passadas e suas impressões inconscientes registradas em nosso aparelho psíquico,
como grandes espelhos, batizamos seu efeito de “eu”, “você” ou “nós”. Também
existe uma força, uma imagem, um “fantasma coletivo”, um arquétipo que permeia
nossa visão de mundo - alguns autores discutiram muito sobre isso, mas não nos
convém atermo-no a conceitos e teorias neste momento. Em certo sentido, veja
só, isso, ou melhor, este fenômeno que chamamos de “eu” é puramente uma espécie
de memória, ou melhor, uma imagem mental, uma superstição passageira, algo
não-existente por si mesmo. Faça um exercício agora, olhe para seu passado e
perceba que seu sentido de “eu” é como um movimento do pensar, buscando imagem
após imagem, revirando os escombros da memória, como um acúmulo de experiências,
impressões e angustias. Ao lançarmos
vistas em direção ao nosso passado cavamos, respectivamente, um sentido para o
resultado FINAL de nossas experiÊncias pessoais, ou seja, uma falsa unidade
chamada de “eu”. Em outras palavras, uma programação. O que chamamos de
“eu” é o lado mais obscuro de nosso inconsciente. Neste caso, é muito provável que sejamos
justamente o que não podemos definir. Onde não existe palavras, símbolos e
conceitos, lá estamos nós. Neste sentido, o que entendemos por “homem” não
passa de um conceito mental pertencente ao tempo. Sim, ao tempo, nosso “eu” é
fruto do tempo. Conseqüentemente, o que chamamos de morte não pode representar
nada além da destruição total do individuo. O fim de nós mesmos, a finitude do
conceito, da idéia, da experiência, da imagem mental. Para tanto, a sensação, o pressentimento, a
visão, ainda que turva e distante, de nossa mortalidade é o inicio do caos
interior. A mortalidade nos amedronta inconscientemente a todo o momento. Este
pressentimento, acredito, é primitivo e atávico, ou seja, é passado de geração
em geração por nossos genes. A mortalidade pertence ao tempo. A essência do
tempo é movimento e transformação perpétua. Estamos à mercê de um monstro que a
tudo devora e não podemos fazer nada senão negar esta escuridão horrenda! Poderia
o destino dos homens apresentar uma tragédia ainda maior? É pouco provável.
Não
existe liberdade. Não pode existir liberdade ao passo em que somos sustentados,
enquanto indivíduos, por uma imagem mental, uma impressão, um conceito difuso
de “eu”, enfim, um acúmulo de experiências passadas. Em última instância, não
possuímos existência real, pois o observador é uma ilusão! Somos memória, ou caso
queiramos satisfazer os sentidos físicos, somos apenas este corpo que
conseguimos visualizar. Nada, além disso. Em contrapartida, é difícil entender
até que ponto tais experiências pessoais, ou seja, a prisão psíquica que
chamamos de “eu” pode edificar e forjar nossa visão de mundo; além do mais,
podemos passar horas e horas conjecturando se realmente a experiência humana
neste planeta pode conquistar para si a capacidade de compreender a verdadeira
natureza das coisas dotada, por seu turno, de uma clareza completamente destituída
de superstições, já que nossos pensamentos e emoções são tão traiçoeiros como
bem sabemos. Eu penso e sinto que sim. Minha resposta é positiva, o homem
(real) pode conhecer a essência das coisas, haja vista que para mim - e eu
preciso dizer e deixar bem claro - o homem jamais deixou e jamais deixará de
ser uma “POSSIBILIDADE INFINITA DE CRESCIMENTO E EVOLUÇÂO” espiritual. Jamais! Somos
pontes e não um fim. Não obstante a ilusão, a cegueira e, sobretudo, a sensação
psicológica de ISOLAMENTO que nos aprisiona ao mundo e nos arrasa por dentro
sejam os únicos horizontes que podemos enxergar nesta condição de letargia
espiritual que nos assalta a alma. Viver é um eterno sacrifício. Evoluir também
é perecer, pois deixamos “cascas” ao longo do caminho, cascas que já se
confundiram com “nós” mesmos. Não podemos carregar nos mesmos ombros Deus e o
Diabo, o fogo e a água, a duvida e a convicção. É mister uma escolha, uma
decisão, tomar um partido. Saber viver.
Acima de tudo, entretanto, não devemos
esquecer que NÓS, ou seja, a essência por traz do conceito, a luz por traz do
véu da personalidade, e ninguém mais, escolhemos passar pela experiência neste (multi)universo
dimensional, portanto, somos inteiramente RESPONSÁVEIS por nossos êxitos ou
fracassos. Nossa meta sempre será o aprendizado. É inegável que existem inúmeras
forças no cosmos que jogam com o ser humano a todo o momento, em toda sua
jornada, e sejam estas forças consideradas moralmente como o bem ou o mal, o
equilibro final cabe a nós restabelecer. O ser humano é o epicentro da crise e
do caos e ninguém, a não ser nós mesmos, é responsável por nossos atos,
pensamentos e ações, independente da condição que nos encontremos, seja num
palácio, num castelo, dentro de uma mansão, ou dentro de uma caverna, choupana
ou tapera. A causalidade é nossa LEI maior. Penso, por vezes, como seriamos
infinitamente mais justos para conosco mesmos e a nossa Mãe Terra se realmente enxergássemos
a grande responsabilidade de se viver, de estar aqui, de estar experenciando o
mundo, de ser consciente, de poder agir. É um crasso engano acreditar que
podemos escolher enquanto escravos, pois, submersos nesta condição, somos
apenas condicionados pelo PENSAMENTO, isto é, pela mente, pela programação e,
deste modo, apenas REAGIMOS à estímulos exteriores. Somos seres de caráter
sensorial. Será que a experiência humana comum neste mundo pode libertar o
homem de seus preconceitos, limitações e ignorância? Será? Ou é necessário que
haja uma ruptura completa com o que chamamos de realidade para que tal suceda?
O que significa romper? O que significa agir? Viver desprovido de qualquer
resquício de medo é possível?
Muito
embora a ideia de sermos escravos disso ou daquilo retumbe como óbvio ou até
mesmo como um clichê para alguns sujeitos “bem informados”, o que posso dizer é
o seguinte: “Estar Consciente” é essencialmente diferente de concordar mentalmente
com este ou aquele pressuposto, ou ainda “pensar” ou “refletir” a respeito
deste ou daquele fato, pois opiniões e argumentos possuem raízes comuns na
mente humana, estão germinando através do pensamento e das crenças pessoais, do
“sim” e do “não”: nosso eterno binário mental. Como é aterrorizante a conclusão
de que somos como máquinas programadas pelo tempo e desprovidas do poder de
escolha porquanto apenas REAGIMOS aos estímulos do mundo! A mente é como uma
instalação alienígena que nos guia em direção a autodestruição e conflito
perpétuo. Como pode a mente condicionada fazer alguma idéia do infinito, de
DEUS, ou mesmo da realidade deste planeta, nossa querida Mãe Terra? Impossível.
O que restou à grande parte dos homens foram as discussões
teórico-intelectuais a respeito da realidade ou existência disso ou daquilo e
assim por diante. A religião entendida meramente por intermédio do intelecto se
reduz a uma grande piada, se entendia com a emoção, se transforma em mero
sentimentalismo. Conhecemos muito bem o
resultado deste processo: fundamentalismo e intolerância! O próprio ateísmo,
por extensão, parte da mente, se origina de um conceito de caráter mental,
portanto, aquele que se considera ateu, não esta negando a DEUS, a FONTE
original, porém, antes, nega o próprio conceito que construí a respeito do que
procura negar. Dá um tiro em si mesmo enquanto regozija-se com sua postura
rebelde, razoável e “sensata”. Neste sentido, em muitas ocasiões, estamos
negando a nós mesmos a partir das crenças que sustentamos! A mente é uma grande
forma de superstição. Quando isto irá cessar?
Ou melhor, como o amor incondicional pode florescer no coração de um ser
submerso em conflitos e auto-enganação?
Existem muitos livros,
autores, e outros tipos de informação reservada para quem se interessa e busca
informações a este respeito, mas o que eu quero deixar claro é que toda e
qualquer forma de domínio e escravidão começa na MENTE do individuo. Germina no
“invisível” para então manifestar-se no “visível”, o mundo sensorial. Precisamos
enxergar isso com o coração, meus amigos, nosso eterno companheiro. Nosso irmão
maior. Nosso anjo da guarda. Não é nada fácil identificar o lugar que realmente
ocupamos neste mundo, onde pertencemos, para onde vamos e o que devemos fazer, pois
tudo aquilo que podemos perceber como “realidade” é apenas um horizonte entre
tantos outros possíveis que se apresentam a nós homens. Disse, certa feita, um
velho índio Yaqui do noroeste do México: “tudo é um entre um milhão de
caminhos”, mas apenas “os caminhos que possuem coração são verdadeiros”. Deixo
claro que não estou reduzindo o assunto a qualquer teoria subjetivista, mas
tentando, com certo esforço, visualizar até que ponto nossa escravidão mental chegou!
Repito: pensar é diferente de perceber. O reino mais perigoso dos homens é o
invisível. O “mundo das causas” é apreendido apenas pela alma e pelo coração,
jamais pelos olhos e pela mente mundana.
Realmente gostaria de
ser capaz de ensinar um caminho à humanidade ou, pelo menos, a algum amigo ou outros
buscadores como eu, mas tamanha é a pretensão do homem que se diz capaz de
ensinar. Sou escravo de minha mente, de meu
ser, de meus sentidos. Enquanto persistir a luta no interior da mente humana não
prevalecerá a paz no coração dos homens. Cegos não podem guiar cegos, mas tudo
isso pode ter um fim a partir de um simples ATO. VIVER é um ato de coragem. No entanto, um coração desprovido de paz oculta
uma mente que queima e ferve por dentro. As chamas, todavia, também podem ser
usadas a nosso favor, meus amigos. Os Xamãs, feiticeiros, Bruxos, alquimistas e
magos de todos os tempos fizeram isso! As forças da natureza existem e podem
ser usadas para o bem ou para o mal. Esta é uma escolha que cabe a cada um
realizar. Uma vez eu li nas páginas de um livro que a condição especial para nos
transformarmos em verdadeiros homens, ou seja, “homens-de-conhecimento”- qualidade
dos seres desprovidos de medo e dotados de sabedoria real- devemos, antes de
qualquer coisa, agir como Guerreiros, pois todos os atos de um Guerreiro são
sublimes e finais. O Guerreiro age como se a morte estivesse imediatamente a
sua frente, portanto, não haveria tempo a perder e suas ações deveriam partir
deste principio. Dizia o livro: "Se não há como saber se eu tenho apenas
mais um minuto de vida, devo agir como se cada instante fosse o último. Cada
ato é a última batalha do Guerreiro. Então tudo deve ser feito impecávelmente.
Nada pode ser deixado pendente".
O fato é que nos defrontamos com o destino a
cada dia que acordamos. Nascemos e sentimos o ar entrando por nossos pulmões
pela primeira vez, que sensação incrível! Nosso coração bate e logo começamos a
andar, o mundo é colorido e de repente crescemos, morremos e a roda da natureza
não para, é a dança de Shiva encenada pelo Cosmos. O mundo é uma terra de
gigantes! O céu é azul e sem fim, mas porque somos tão pequenos? Por que ainda
não aprendemos a andar? Quem se recorda da primeira vez que avistou o sol, a
imensidão da praia ou as estrelas da noite? Lembro-me de quando era criança e
passava horas olhando em direção ao céu noturno, para as estrelas e, de algum
modo, não me sentia sozinho. Hoje percebo que não era o céu, mas o INFINITO que
dialogava comigo naqueles momentos e até hoje esta é a idéia mais próximo que
tenho da eternidade: o céu e as estrelas. Esta tudo em nosso inconsciente,
basta procurar e acessar as vidas ocultas sobrevivendo em nosso peito. Esta
tudo lá. Basta cruzar o limiar do conhecido, a ponte do medo, do esquecimento,
da dúvida. Todo o infinito esta presente nestas descobertas. São simples, singulares
e profundas, como uma música bela e perpétua girando pelo mundo.
Somos como crianças e quanto mais aprendemos,
mais nos sentimos pequenos, minúsculos, quase invisíveis como na infância, no início
da jornada. Porque o final é tão semelhante ao princípio? O universo é algo estranho
e age misteriosamente, em silêncio. Então, novamente nos levantamos e o mundo
começa a girar. Não para, não cessa e de repente já estamos adolescentes, adultos,
velhos e vemos amigos, pais e irmãos, enfim, gerações inteiras se passarem
frente á nossos olhos e a impressão é que, no fundo, já passamos por tudo isso.
Sensação estranha essa. O universo é cíclico e impecável. O mundo nos desafia,
nos condena, nos impõe condições, ou seria apenas nossa impressão a respeito
dele? Para mim a liberdade reside no poder de contemplação do ser humano. Bem-aventurados
são aqueles que podem contemplar. Algumas pessoas perdem este poder, o tempo o
consome, por isso morrem e definham aos poucos. Não quero isso pra mim, nem
para a humanidade. Não podemos perder nossa capacidade de contemplação! Aceitar
nosso destino, aceitar a nós mesmos, é uma honra, é um ato impecável, exige
força, requer coragem e virtuosismo. Viver só pode ser destino. Realmente não sei
se é possível encarar a vida de outra maneira. Somos homens e devemos aceitar
nosso destino como ele é, destituídos de quaisquer juízos de valor. Assumir o
controle da própria vida, portanto, do próprio destino, é uma tarefa reservada
somente aos Guerreiros de puro coração, do contrário, tudo não passara de uma
crença ou imaginação sobre a vida. Um fantasma aterrorizante. Não precisamos
viver como idiotas, cegos ou lunáticos neste mundo, estes já pululam aos montes
pelo planeta. A maior distinção de um homem é a virtude, o silêncio e o
auto-controle. Então, inevitavelmente, irrompe-se o questionamento: “meu Deus, onde
estão estes homens sublimes que a história ocultou”? Hoje, meus amigos, eu
posso dizer que os seres sublimes nunca se afastaram de nós! Eles estão no
limiar do coração humano, apenas aguardando um gesto nobre de nossa parte para
encontrá-los! Isto pode acontecer agora, neste exato momento, ou daqui alguns
éons, eras intermináveis, milhares de milhões de anos! Depende somente de nós,
mas primeiro aprendamos a andar com nossas próprias pernas. É trágico como
alguns seres humanos apenas se modificam corporalmente, a mente, contudo,
continua infantil, frágil e vulnerável. Não amadurece. Sem dúvidas a maturidade
requer alguns sacrifícios. Viver é sacrifício. Acredito que só podemos começar
a viver realmente quanto começamos a encarar nossos medos no recinto do
silêncio interior como uma batalha prazerosa, cotidiana, sempre crescente e
radical. O desafio de nossas vidas deve ser conquistado enquanto respiramos,
enquanto choramos, sorrimos e compartilhamos nosso amor: a força mais poderosa
de todo o universo. Assim vamos, pouco a
pouco, nos aprofundando em nós mesmos e despertando, passo a passo, nossos
anjos e demônios interiores e então, é incrível, tudo se parece estranho e
curioso, como na infância onde tudo é uma descoberta, tudo é uma surpresa,
poucos conceitos e muita intuição. Estamos velejando, o vento sopra e o
mergulho final não cabe em palavras: é belo demais! DEUS é a beleza intrínseca
de tudo que existe. Até onde podemos
chegar nesta vida, meus amigos, até onde somos capazes de caminhar em direção
ao desconhecido, em direção ao infinito? Tudo é um gesto, uma auto-entrega, uma
doação, um sacrifício, um ato de coragem. Que possamos viver como guerreiros
daqui para frente, agora e para o sempre. Obrigado por seu tempo, por sua dedicação,
por sua leitura. Somos jovens, meus irmãos.
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